Desafio aos Deuses: o preço de tentar controlar o futuro

Sobre o Seminário

16/9
Das 8h às 16h30
Bisutti Traffô
Rua Gomes de Carvalho, 560
Vila Olímpia,
São Paulo | SP
Evento presencial
Créditos no PEC IPCOM:
8 pontos
Créditos no PEC ICSS:
4 pontos
Faltam...
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...para você aumentar seu conhecimento e networking!
INSCRIÇÕES ABERTAS

Em nossa 8ª edição do Seminário Previdência Complementar em Debate, propomos uma reflexão profunda e inédita inspirada na obra clássica de Peter L. Bernstein. Sob o tema central "Desafio aos Deuses: O Preço de Tentar Controlar o Futuro", mergulhamos na fascinante jornada da humanidade em busca de domar a incerteza e construir estabilidade no longo prazo.

Convidamos você a participar deste encontro para desenvolver uma visão crítica e ampliada sobre gestão de riscos e resiliência dos nossos sistemas. É o momento de debatermos juntos se a prudência tem gerado os efeitos esperados e como podemos encarar os desafios do futuro de maneira diferente e inovadora.

Mantendo a fórmula que consagrou as edições anteriores, o IPCOM e a APEP unem forças mais uma vez nesta edição de 2026. Reuniremos palestrantes renomados, autoridades e especialistas do setor em painéis dinâmicos, promovendo um debate essencial sobre as falhas, os acertos e os próximos passos do nosso ecossistema.

Dicas e informações úteis

Deixamos aqui algumas informações e dicas para você aproveitar o evento da melhor maneira possível:

1. A participação no evento contará crédito no PEC IPCOM (8 pontos) e no PEC ICSS (4 pontos). Para que esse crédito seja devidamente contabilizado, preencha corretamente todos os campos do formulário de inscrição e assista a todos os painéis do Seminário.

2. O almoço e coffee breaks estão incluídos no valor da inscrição e acontecerão no próprio local do evento.

3. Assim que você chegar, dirija-se à recepção e faça o seu credenciamento para evitar atrasos. O evento começará pontualmente.

4. Considere a melhor opção de transporte para chegar ao evento sem contratempos. Verifique previamente as rotas e o trânsito para evitar atrasos. Se optar pelo transporte próprio, há estacionamentos nas proximidades do local do evento, porém as vagas são limitadas. Por isso é bom ter à mão outras opções nas proximidades. Recomendamos o uso de transporte por aplicativo ou táxi.

5. Certifique-se de conhecer bem a localização do evento e planeje sua chegada com antecedência, para que você tenha tempo de realizar o credenciamento antes do início do primeiro painel.

Se tiver alguma dúvida, fale conosco.

Perguntas frequentes

O evento contará créditos no PEC IPCOM e PEC ICSS?

Sim. O evento contabilizará crédito no PEC IPCOM (8 pontos) e no PEC ICSS (4 pontos). Contudo, para que esse crédito seja devidamente considerado, você precisa preencher corretamente todos os campos do formulário de inscrição e assistir a toda a programação.

Haverá certificado de participação ao evento?

Não. A organização do evento irá enviar a lista dos participantes efetivos diretamente para o ICSS.

O evento será presencial ou híbrido?

O evento, que acontece em 16 de setembro, no Bisutti Traffô, em São Paulo, será feito exclusivamente no modelo presencial.

Associados da APEP e do IPCOM terão que pagar pela inscrição neste Seminário?

Profissionais de entidades, instituições ou empresas associadas à APEP ou ao IPCOM têm cotas de inscrições gratuitas. Quando essas cotas se esgotarem, haverá necessidade de pagar a inscrição.

É preciso ser associado para participar do Seminário?

Não. O Seminário será aberto para participação de profissionais que queiram discutir as últimas tendências e desenvolvimento do setor de previdência complementar no Brasil. Para participar, basta efetivar a inscrição paga.

O que está incluído no valor da inscrição do evento?

Estão incluídos no valor da inscrição o acesso ao Seminário, material dos patrocinadores, coffee breaks, e almoço.

Posso substituir o participante ou cancelar a minha inscrição?

Você pode substituir ou cancelar a sua inscrição até 11 de setembro de 2026. Após essa data, a sua inscrição será considerada definitiva, sem a possibilidade de substituição ou devolução do valor pago.

Há estacionamento no local do evento?

Não. Há estacionamentos próximos ao local do evento, porém as vagas são limitadas. Recomendamos o uso de transporte por aplicativo ou táxi.

Quais são os meios de pagamento?

No caso das inscrições pagas, você pode fazer o pagamento instantâneo, por meio de cartão de crédito, ou fazer o pagamento faturado para a sua empresa, entidade ou instituição. Se você tiver alguma dúvida sobre pagamentos, fale com a Secretaria da APEP: secretaria@nova-apep.org

Não é possível fazer o pagamento por meio de boleto bancário.

Logo do VIII Seminário Previdência Complementar em Debate

Palestrantes

Membros do Governo

Ricardo Pena
Superintendente
Previc

Profissional com mais de 20 anos de experiência em Organizações Privadas e Públicas, no âmbito acadêmico e corporativo, atuando como Diretor Executivo e Institucional, com solido conhecimento em Previdência, Finanças, Riscos, Compliance e Supervisão dos Mercados Financeiros.
Doutor em Demografia pelo CEDEPLAR/FACE/UFMG (2005), bacharel em Ciências Econômicas com extensão universitária pela FACE/UFMG (1995). Possui mestrado profissional, nível MBA, em Atuária e Finanças pela (FIPECAFI/FEA) da USP-Universidade de São Paulo (2000).
Atuou como Assessor Especial na área financeira, mercado de capitais, (re) seguros, previdência social e privada da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda.
Atuou como Economista (CRE/MG nº 4671.1) do DIEESE (1995-2003), em Belo Horizonte-MG.
Foi Conselheiro da ABRAPP/Associação Brasileira de Fundos de Pensão (2014-2016) e Presidente/Membro titular do COREMEC/Comitê de Regulação e Fiscalização dos Mercados Financeiros, de Capitais e Seguros e Previdência (2006-2010).
É autor do livro “A demografia dos fundos de pensão”, da coleção MPS, 2007.
Foi professor de pós-graduação em Previdência Complementar pela UDF, FGV-DF e CESUSC- SC. (de 2010 a 2019) e de graduação em cursos de Economia e Comércio Exterior (de 2000 a 2002).

Leandro Santos da Guarda
Procurador-Chefe
Previc

Procurador Federal desde 2008, atuou em diversos órgãos da Procuradoria-Geral Federal - PGF. Foi Coordenador-Geral de Gabinete da PGF, Coordenador de Ações Prioritárias da Procuradoria Federal Especializada do INSS e Coordenador de Assuntos Estratégicos da Procuradoria Federal Especializada junto à FUNAI, entre outros cargos ocupados. Graduado em Direito pela Universidade de Brasília e Doutor em Direito pela Universidade Roma Tre.

Profissionais do Mercado

Ana Paula De Raeffray
Diretoria do IPCOM
Ana Paula De Raeffray
Vice-Presidente
IPCOM

Doutora em Direito. Professora. Sócia do escritório Raeffray Brugioni Advogados. Bacharel em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Mestre em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. Doutora em Direito das Relações Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. Professora dos cursos de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP. Diretora vice-presidente do IPCOM- Instituto Brasileiro de Previdência Complementar e Saúde Suplementar. Membro Titular da CRPC – Câmara de Recursos da Previdência Complementar. Diretora Científica e membro da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social. Vice -Presidente da Comissão Especial de Previdência Complementar da OAB/SP.  Membro designado pela Secção de São Paulo para representar o Estado de São Paulo na Comissão de Previdência Complementar da OAB Nacional. Membro da CMCA – Câmara de Mediação, Conciliação e Arbitragem da PREVIC.  Profissional certificada pelo ICSS - Instituto de Certificação dos Profissionais de Seguridade Social. Membro do IBGC - Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Profissional certificada em segurança da informação e proteção de dados. Especialista em direito digital e privacidade. Membro do IAPP - International Association of Privacy Professionals. Árbitra e sócia da CAMES - Câmera de Mediação e Arbitragem. Autora de diversos livros e artigos.

Adacir Reis
No items found.
Adacir Reis
Sócio
Adacir Reis Advocacia

Adacir Reis é advogado e sócio do Escritório Adacir Reis Advocacia, sediado em Brasília.
Foi Secretário de Previdência Complementar e membro titular do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNPS) e Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC).
Autor de vários livros, dentre eles Curso Básico de Previdência Complementar (Editora RT).
Foi membro da Comissão de Juristas do Senado Federal para a Reforma da Lei da Arbitragem e criação do Marco Legal da Mediação.
É presidente do Instituto San Tiago Dantas de Direito e Economia.

Devanir Silva
No items found.
Devanir Silva
Diretor-Presidente
Abrapp

Reginaldo José Camilo
Conselho da APEP
Reginaldo José Camilo
Diretor-Presidente
Fundação Itaú Unibanco

Formação: Contador com certificação internacional para IFRS pelo ICAEW (2012); Certificado com ênfase em Administração pelo Instituto de Certificação dos Profissionais de Seguridade Social – ICSS (desde 2011).
Experiência profissional: Foi Superintendente de Controladoria responsável pela consolidação das demonstrações contábeis da Itausa e do Itaú Unibanco (1979/2019); Foi Diretor de Fundações gestoras de atividades sócio culturais do conglomerado Itaú, Fundação Itaú Social, Fundação Saúde Itaú e Fundação Itaú Clube (até 2022); É Diretor Presidente da Fundação Itau Unibanco Previdencia Complementar (atual)
Institucional: Foi Diretor da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementa – Abrapp (1990/1995 e de 2002 a 2007); Foi Diretor da Associação dos Fundos de Pensão e Patrocinadores do Setor Privado - APEP (2020/2022); É Membro do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementa – Abrapp; Foi Membro da Câmara de Recursos da Previdência Complementar - CRPC (2002/2007); Foi Membro do antigo Conselho de Gestão da Previdência Complementar - CGPC  (2002/2010); Foi Membro titular do Conselho Nacional de Previdência Complementar - CNPC (2010/2014); É Membro suplente do Conselho Nacional de Previdência Complementar – CNPC (atual)

Wagner Balera
Diretoria do IPCOM
Wagner Balera
Diretor-Presidente
IPCOM

Professor Titular de Direitos Humanos; Coordenador do Núcleo de Direitos Humanos e Líder do Grupo de Pesquisa sobre Direito e Direitos dos Refugiados na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Tem experiência na área de Direito Público, com ênfase em Direito Tributário e Previdenciário e na área de Direitos Humanos. Possui Graduação em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1974), Mestrado em Direito Tributário (1978); Doutorado em Direito das Relações Sociais (1992) e Livre-Docência em Direito Previdenciário (1998). Membro da Academia Paulista de Direito, da Academia Paulista de Letras Jurídicas, da Academia Nacional de Seguros e Previdência e da Academia Brasileira de Direito Tributário. Coordenador da Revista Brasileira de Direitos Humanos.

Mapa Mundi

Agenda*

Confira a programação que preparamos para esse Seminário.

Horário
Painel
Palestrante
8h30 – 9h
Credenciamento e welcome coffee
9h – 9h30
[PROMETEU] Abertura – A humanidade nunca aceitou o acaso
Representante da APEP
Representante do IPCOM
Ana Raeffray**
Saiba mais sobre o deus Prometeu
Prometeu, na mitologia grega, é o titã que entrega o fogo aos homens e, por isso, desafia a ordem dos deuses. Sua história está ligada à técnica, à inteligência e ao preço de ampliar a capacidade humana. No seminário ele traduz o primeiro gesto diante do risco, o de não aceitar o acaso como destino, mas enfrentá-lo com razão, método e responsabilidade.
9h30 – 10h10
[FORTUNA] Conversa 1 – O futuro quebrou?
Denis Forte
Igino Matos
Fabio Saraiva**
Saiba mais sobre a deusa Fortuna
Fortuna é a deusa romana da sorte, da instabilidade e das mudanças imprevisíveis da vida. Frequentemente representada com a roda, lembra que a condição humana pode se alterar de modo súbito. No nosso debate ela simboliza o momento em que premissas econômicas, demográficas e financeiras deixam de se comportar como esperado.
10h10 – 10h30
Perspectiva – Gestão Ativa, disciplina de risco e inteligência quantitativa em mercados voláteis
André Gustavo Lopes de Sousa Caetano
10h30 – 11h10
[APOLO] Conversa 2 – O Judiciário compreende o risco na previdência privada?
Ivani Bramante
Leandro da Guarda
Roberta Rangel
Augusto Tavares**
Saiba mais sobre o deus Apolo
Apolo preside o Oráculo de Delfos, procurado por aqueles que desejavam conhecer o futuro antes de decidir. A imagem é útil para o debate jurídico porque a previdência privada não se organiza por respostas oraculares, mas por premissas, probabilidades e equilíbrio coletivo. As decisões judiciais compreendem efetivamente o que é o risco para um plano de benefícios: não apenas um conflito individual, mas uma variável capaz de afetar reservas, custeio, solvência e a própria distribuição de encargos entre as partes do contrato de previdência privada.
11h10 – 11h50
[ATENA] Conversa 3 – A prudência sempre gera os efeitos esperados?
A definir
Reginaldo Camilo**
Saiba mais sobre a deusa Atena
Atena é a deusa grega da sabedoria, da estratégia e da inteligência prática. Diferentemente da força impulsiva, sua atuação está ligada à decisão refletida. No seminário, representa a prudência que escolhe entre riscos concorrentes, sabendo que mesmo decisões corretas podem produzir efeitos não previstos.
12h – 14h
Almoço

14h – 14h20
Desafio – A história das grandes falhas de previsão
Wagner Balera
14h20 – 15h
[FIDES] Conversa 4 – A confiança está em crise?
Carla Cristina
Mirador
Danielle da Silva**
Saiba mais sobre a deusa Fides
Fides é a deusa romana da confiança, da boa-fé e da palavra empenhada. Sua história está ligada à lealdade dos vínculos e ao cumprimento das promessas. Na previdência privada, confiança é condição de permanência do sistema, especialmente quando os compromissos atravessam décadas.
15h – 15h40
[DÉDALO] Conversa 5 – O erro humano ainda é o maior risco?
Evelise Paffeti
Isabel Matos
Renata Desiderio**
Saiba mais sobre Dédalo
Dédalo, na mitologia grega, é o grande artesão e inventor, conhecido por construir o Labirinto de Creta e por criar as asas usadas na fuga com Ícaro. Sua história mostra a ambiguidade pois a inteligência humana produz soluções, mas também pode criar armadilhas. Por isso, é uma figura forte para pensar inteligência artificial, erro, opacidade e responsabilidade.
15h40 – 16h
[ANANKE] Encerramento – O colapso do longo prazo
Fabio Giambagi
Saiba mais sobre a deusa Ananke
Ananke é uma divindade primordial grega associada à necessidade, à inevitabilidade e aos limites que se impõem mesmo aos deuses. Traduzida, por vezes como fatalidade.  No debate sua presença recorda que nem tudo no futuro pode ser submetido ao cálculo ou à vontade. Na previdência privada, ela simboliza o peso do tempo, do envelhecimento, da escassez e da finitude sobre as promessas de longo prazo.

* Agenda sujeita a alterações / ** Moderador(a) do painel

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Artigos

Conheça algumas perspectivas sobre o livro "Desafio aos Deuses: O Preço de Tentar Controlar o Futuro", a principal obra que inspira o VIII Seminário.

Contra os Deuses: Risco, Cálculo e Previdência Privada

A obra Against the Gods: The Remarkable Story of Risk, de Peter L. Bernstein, publicada originalmente em 1996, permanece como uma das mais relevantes reconstruções históricas e intelectuais sobre a formação moderna da ideia de risco. O título, por si só, já antecipa o argumento central do livro. Against the Gods significa, literalmente, “contra os deuses”, mas também faz ressoar, em inglês, a expressão against the odds, isto é, “contra as probabilidades” ou “apesar das chances desfavoráveis”. O jogo de linguagem aproxima, no próprio título, duas dimensões fundamentais da obra: a superação progressiva da submissão ao destino e o nascimento de uma racionalidade fundada no cálculo das probabilidades.

Bernstein não trata o risco como simples sinônimo de perigo. O risco, em sua acepção moderna, surge quando a incerteza passa a ser compreendida como objeto de decisão. Há risco quando o futuro é desconhecido, mas não inteiramente inacessível à razão; quando não há certeza, mas existem elementos suficientes para estimar cenários, comparar alternativas e assumir responsabilidades. Filosoficamente, o risco situa-se entre a fatalidade e a certeza. Se tudo estivesse previamente determinado, não haveria decisão. Se tudo fosse plenamente conhecido, não haveria incerteza relevante. O risco pertence ao espaço intermediário da ação humana, no qual se decide sem garantia absoluta, mas também sem pura entrega ao acaso.

Essa é a passagem civilizatória que Bernstein descreve. A humanidade, durante longo período, relacionou-se com o futuro por meio da fortuna, dos oráculos, da vontade divina ou da resignação diante do destino. A modernidade altera esse modo de compreensão. Com o desenvolvimento da teoria das probabilidades, da estatística, das tábuas de mortalidade, dos seguros, da matemática financeira e da teoria da decisão, o futuro deixa de ser apenas um campo de mistério e passa a ser também um campo de estimativa. O acaso não desaparece, mas deixa de ser tratado apenas como manifestação desconhecida de forças externas à razão humana.

A vertente matemática do risco nasce dessa transformação. A probabilidade permite atribuir medida a eventos incertos. A estatística identifica regularidades em grandes populações. A matemática financeira organiza a comparação de valores no tempo. A ciência atuarial converte hipóteses biométricas, econômicas e demográficas em projeções de longo prazo. A gestão de riscos, por sua vez, estrutura essas informações para orientar decisões em ambientes de incerteza. Nada disso elimina o imprevisível. O cálculo não domina o futuro, permitindo apenas que a decisão humana seja menos arbitrária, mais documentada e responsável.

Essa distinção ganha relevo na previdência privada, os planos de benefícios são instituições construídas sobre promessas de longa duração e dependentes de hipóteses sobre longevidade, inflação, juros, retorno dos investimentos, comportamento contributivo, crescimento salarial, composição familiar, dinâmica do mercado de trabalho, alterações regulatórias e decisões judiciais. Cada uma dessas variáveis contém incertezas próprias. A boa técnica atuarial, financeira e jurídica não se presta a negar essas incertezas, mas a reconhecê-las, mensurá-las quando possível, explicitar suas premissas e submetê-las a mecanismos adequados de governança, tudo sempre buscando a mitigação do risco.

Por isso, o risco no ambiente da previdência não pode ser compreendido como anomalia do sistema. Ele integra a própria natureza dos contratos de longa duração. Há risco biométrico quando a população vive mais do que o projetado. Há risco financeiro quando os ativos não acompanham a evolução do passivo. Há risco de liquidez quando o fluxo de pagamentos não se ajusta à disponibilidade dos recursos. Há risco jurídico quando decisões judiciais alteram bases de custeio, elegibilidade ou responsabilidade. Há risco regulatório quando novas normas modificam deveres, prazos, padrões de solvência ou critérios de supervisão. Há, ainda, risco de governança quando decisões complexas são tomadas sem informação suficiente, sem registro adequado ou sob pressões incompatíveis com o dever fiduciário.

A contribuição de Against the Gods está em demonstrar que sociedades maduras não são aquelas que prometem a eliminação do risco, mas aquelas que constroem instituições capazes de enfrentá-lo com método. A previdência complementar fechada é uma expressão dessa construção institucional, quando transforma poupança presente em proteção futura. Em seu cerne está a tentativa de dar forma jurídica, econômica e atuarial a compromissos que atravessam décadas.

Paradoxalmente, a própria evolução da gestão de riscos revela que a busca pela eliminação completa da incerteza pode produzir novas fragilidades. Na previdência complementar, estratégias excessivamente conservadoras podem comprometer a capacidade de formação de reservas adequadas no longo prazo, enquanto exposições excessivas podem colocar em risco a sustentabilidade dos compromissos assumidos. A prudência, portanto, não consiste na recusa do risco, mas na sua adequada compreensão e administração. O desafio da governança está justamente em encontrar o equilíbrio entre segurança e desempenho, reconhecendo que toda decisão relevante envolve a aceitação consciente de determinados riscos em benefício dos objetivos institucionais.

A obra de Bernstein, portanto, interessa diretamente ao debate previdenciário contemporâneo. O risco não é apenas uma variável técnica, uma métrica de investimento ou uma informação inserida em relatórios. É também uma categoria ética e institucional. Decidir sob risco significa decidir sobre o futuro de terceiros.

O título Against the Gods conserva, assim, sua força simbólica. Administrar riscos é, em certa medida, afastar a ideia de que o futuro pertence apenas aos deuses ou ao destino, com o consequente reconhecimento de que o cálculo das probabilidades não autoriza a ilusão de controle absoluto. Entre o fatalismo antigo e a confiança excessiva na técnica, há o campo próprio da governança: o espaço em que matemática, direito, regulação, prudência e responsabilidade intergeracional devem dialogar.

A previdência privada vive exatamente nesse território e a obra de Bernstein se encaixa perfeitamente quando indica que o risco não deve ser ocultado, dramatizado ou banalizado, devendo, acima de tudo, ser compreendido e estudado como matéria própria da decisão responsável.

Ana Paula Oriola De Raeffray
Arthur Pires

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Patrocínio e Apoio Institucional

Agradecemos o patrocínio e apoio dos seguintes parceiros institucionais, cujo compromisso e contribuição foram essenciais para a realização desse Seminário.

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Inscrições

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Associadas ao IPCOM
contato@ipcom.org.br
Associadas à APEP
secretaria@nova-apep.org
Ingressos adicionais para profissionais de entidades, instituições ou empresas associadas à APEP ou ao IPCOM
Profissionais do segmento da previdência complementar fechada de entidades ou empresas não associadas à APEP ou ao IPCOM
Profissionais ligados a Assets, Instituições Financeiras e demais segmentos do mercado
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Termos e condições do seminário
Trocas e cancelamentos

A data-limite para realizar trocas ou cancelamento de inscrições é até o dia 11/9/2026. Após essa data, todas as inscrições serão consideradas como definitivas, sem a possibilidade de devolução dos valores pagos.

Créditos do PEC IPCOM e PEC ICSS

O evento contabilizará crédito no PEC IPCOM (8 pontos) e no PEC ICSS (4 pontos). Contudo, para que esse crédito seja devidamente considerado, você precisa preencher corretamente todos os campos do formulário de inscrição e assistir a toda a programação.

Dados pessoais

Os dados pessoais informados na ficha de inscrição para eventos poderão ser compartilhados com os associados da APEP e do IPCOM, patrocinadores, parceiros e prestadores de serviços, para promoção de suas atividades em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD, nº 13.709/2018.

Uso de imagem

A sua imagem poderá ser usada, de maneira coletiva e meramente ilustrativa, no material de divulgação do evento, incluindo peças digitais, audiovisuais, e físicas, em todos os canais de comunicação da APEP, do IPCOM e dos patrocinadores.

Os painéis do 5º Seminário estão acontecendo:
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